Monday, August 21, 2006

Vai passar nessa avenida um samba popular...

Dia estranho, com gente esquisita... Eu não tô legal...
Alô, alô, Marciano, aqui quem fala é a Maria...
Maria qualquer, lavadeira, passadeira, enroladora de cachos
Fazedora de pão e de filho...
Letrista de carta pra analfabeto e de uma canção
Vendedora de pinhão no sul
e de acarajé no nordeste...
Maria que foi ser professora
pra aprender a viver...
Maria, moleque... Nunca ouviu esse nome?
Pára um pouco o que estiver fazendo e olha pra mim, aqui em baixo...
Sou uma Maria qualquer
Aquela que às vezes nunca vai
E por isso é tachada de chata
Mas às vezes, aquela que aceita ir
E fica tachada de "vai-com-as-outras"
Sou uma Maria
E tanto faz se eu fosse Severina ou Letícia...
Sou apenas uma mulher que ia passando...
E resolveu tirar os olhos do chão
E olhou pro céu...
Hoje é segunda-feira, dia internacional das nuvens...
Mas tem sol, apesar das tais nuvens estranhas....
Já vi essas uma vez. Uma não. Talvez duas ou três.
E não gosto da cor delas não...
Tô achando que essas nuvens vão demorar a sair da frente do sol...
Faz isso comigo não, menino...
Não gosto da cor delas.

Hum... Tá bom...

Toda cor é importante, eu sei...
Vou agüentar essa, então...
Mas só porque sei que nada é pra sempre...
E que elas...
E que...
Olha só o sol me queimando a pele...
Que beleza... Obrigada, seu moço!
Vou-me´mbora cantando:

"Ensaboa mulata ensaboa
Ensaboa tô ensaboando
Tô lavando a minha roupa
Lá em casa estão me chamando, o Dondô
Ensaboa mulata ensaboa
Ensaboa tô ensaboando
Trabalho um tantão assim
Cansaço é bastante sim
A roupa um tantão assim
Dinheiro um tiquinho assim
Ensaboa mulata ensaboa
Ensaboa tô ensaboando
Everybody run, run, run
Everybody run, run, run" (Marisa Monte)



(Adriana Luz - entre o final do dia 21 e o início de 22 de agosto de 2006)