Monday, September 04, 2006

Sem-teto

Meus dias andam estranhos... Andam não, se arrastam. Estou tão sem paciência.

Tá, tudo bem, nunca tive paciência pra nada mesmo. Admito. Mas, de vez em quando, nossa. Haja...

Bem, estou tentando melhorar. Preciso me controlar mais. Preciso, preciso, preciso. Vou fazer disso um mantra. (Cadê meu analista?????????)

Aliás, eu juro que já estou tentando. Outro dia, até perguntei a um amigo de um amigo o que ele achava de mim.Perguntei sobre meus defeitos. E comecei logo por um que de vez em quando baixa em mim. Perguntei assim: você me acha pedante?

Ele disse que não, que achava que eu era uma pessoa que deixava bem claros meus posicionamentos, quando eu acreditava neles. Acho que foi mais ou menos isso que ele disse. Deveria ter anotado... (Conselho de analista, e que eu nunca segui... hunf) Enfim...

Depois perguntei se isso, para ele, seria defeito ou qualidade.

E ele disse: bem, se você faz isso sempre, pode ser um defeito, porque pode parecer que você não aceita a opinião de ninguém, só a sua que conta... Mas se você fizer isso de vez em quando, é qualidade, porque mostra logo o seu pensamento e deixa bem claro até onde o outro pode ir com você. Tipo, mostra o respeito...

Hum... Resposta bem em cima do muro. Ele mesmo admitiu que ficou em cima do muro...rs. Mas depois consertou dizendo que acha legal meu jeito, etc, etc...
E pelo papo que teve depois comigo, sobre "regras de etiqueta", "o que é elegante fazer em determinadas ocasiões" (uma espécie de consultoria..rs) imagino que ele deve me achar uma pessoa elegante etc, etc... E isso eu acho qualidade...rs

Na verdade, o que eu estou querendo dizer, é que eu até sei (sabia...) das minhas qualidades, e admito meus defeitos. Mas há coisas que não dá. Não consigo me controlar. E aí, baixa o "fique no seu devido lugar" ... E, como não quero sair do salto, não sei, acho que exagero na elegância... E coloco o outro lá, no lugar de onde acho que ele nunca deveria ter saído.

E isso é bom? é ruim? Não sei. Só sei que depois fico péssima.

Bem, e se fico péssima depois, então é porque é ruim... Elementar...

Pois é, meus dias estão péssimos. Preciso me controlar. Contar até três, até dez... Até mil (será que eu agüento?)

Sim, e tem um conselho que alguém me deu uma vez. Não era analista...Nem me lembro de quem foi o conselho. Ou será que li isso em algum lugar?? Vai saber...

O conselho era o seguinte: anote todas as suas qualidades. E centre-se nelas. E decore, deixe isso em sua mente.

Bom, hoje eu pensei em fazer uma lista de coisas boas a respeito de minha pessoa... Mas cadê que eu lembro????

Descobri que é mais fácil (dez milhões de vezes mais) falar dos meus defeitos.

E estou péssima por isso. Sou uma sem-qualidades... Praticamente uma sem-teto.

Meu mundo caiu. :-(

3 comments:

J said...

uai, não achou nenhuma qualidade sua pois nao teve paciência para pensar!
Ou foi muito exigente achando que o que poderia ser qualidade não era tao perfeitamente qualidade assim

re-pense de novo, e com calma :-)

Pois, tem várias!

Ana Lima said...

Realmente é muito mais fácil saber dos nossos defeitos já que passamos tanto tempo pensando neles, em como corrigí-los (vale frizar que isso também pode ser um defeito: tentar acertar sempre!). Mas pensar em suas qualidades não é tão difícil assim...Não vou me atrever a falar quais poderiam ser, nem te conheço pra isso! Mas uma coisa posso falar com toda certeza: você sabe viver, e como! Basta isso pra saber suas qualidades. Hum... E onde estão elas que não vêm à tona sufocadas pelos defeitos, hein? Talvez você saiba muito bem quais são e até se orgulhe por isso. Eu pensaria em gastar menos tempo com os meus defeitos: as qualidades sairiam correndo, livres, leves e soltas se mostrando pra todo mundo e derrubando esse amigo do amigo pro lado de lá do muro!

Beijos!

Vanessa Gomes said...

Uma vez li alguma coisa (não sei aonde, nem quando), mas que dizia que o que mata a gente é esse tal de superego. Essa coisa que funciona como um regulador dos nossos atos, uma censura...a consciência falando alto se devemos ou não ser, ou fazer, isso ou aquilo...
Eu acredito que vivemos um grande erro: superestimamos esse "tal de superego" e policiamos nossos atos sempre na expectativa de sermos amadas e aceitas, quando na verdade o amor é uma energia que fica impregnada em nossas auras. É o amor que temos por nós mesmas que nos faz tão apaixonantes. Reconhecer defeitos é importante, superestimá-los é um erro, mesmo porque alguns deles são mais importantes que algumas qualidades. É necessário que existam.
Temos que exalar nosso perfurme, algumas pessoas vão se incomodar, vão achá-lo forte demais, ou que foi usado na hora e na medida errada. E daí? Outras tantas vão querer sentir o aroma outras vezes.
Só sei que essa "flor" que conheço tem um perfume delicioso. Beijos, querida! :0)